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Março 29, 2019

Todas as jamantas e milhares de mergulhos, dos Açores para o mundo

Uma base de dados de jamantas em águas açorianas, construída a partir de foto-identificação captada por cidadãos-cientistas: o Manta Catalog Azores é da autoria da bióloga Ana Filipa Sobral e quer conhecer e ajudar a conservar todas as jamantas dos Açores (e quiçá do mundo). Venceu o segundo lugar do prémio Terre de Femmes, da Fundação Yves Rocher.

Foto: Miguel Manso

Ana Filipa Sobral tinha nove anos quando viu jamantas pela primeira vez. Corria o ano de 1998 e, por esta altura, a bióloga marinha já sabia que o queria ser — só não sabia que o estudo destes animais lhe iria valer o segundo lugar do prémio Terre de Femmes, promovido pela Fundação Yves Rocher. Passaram-se nove anos desde o primeiro contacto com jamantas, até que as reencontrou em Moçambique, desta vez fora dos corredores do oceanário e sem vidros gigantes a separá-las. E, por essa altura, nem era para as ver que mergulhava.

Foi já com uma licenciatura em Biologia que Ana Filipa viajou para África, em 2010, para um programa de voluntariado centrado no estudo dos tubarões-baleia. Acabou por voltar interessada nas jamantas. “São animais misteriosos”, refere. E foram estes “gigantes gentis” que, em 2011, fizeram a bióloga trocar Grândola, em Setúbal, pelos Açores, para iniciar um mestrado em que são os protagonistas e, em 2012, criar o Manta Catalog Azores: uma base de dados que pretende aumentar o conhecimento acerca destas espécies, sobre as quais ainda se sabe “muito pouco”.

DANNY COPELAND/DR

A investigação baseia-se essencialmente na ciência cidadã, a partir de fotografias e informações fornecidas por mergulhadores e centros de mergulho da ilha, que preenchem os formulários que a bióloga prepara e distribui no início da época de mergulho. Os dados recolhidos até agora — dois mil mergulhos entre 2012 e 2017, cerca de cinco mil fotos e 62 horas de vídeo captado entre 1990 e 2018 — permitiram, por exemplo, criar a primeira base de dados do mundo de foto-identificação de mobulideos nos Açores e de jamanta-chilena (Mobula tarapacana) do mundo.

Os dados permitiram desvendar alguns comportamentos dos animais. Os Açores “são um dos únicos locais do mundo onde esta espécie

forma grandes grupos”, mas não se sabe o porquê. As populações podem ser vistas ao longo de todo o arquipélago, mas formam agregações no monte submarino do Ambrósio e Princesa Alice. Nestes locais, são frequentemente avistadas fêmeas grávidas, o que pode significar que têm “alguma importância em termos de reprodução, que pode ser a proximidade de algum local para dar à luz ou relevante em termos de socialização”.

“A foto-identificação cria a oportunidade de envolver o público nos projectos e beneficia os investigadores, aumentando a quantidade e extensão geográfica dos dados disponíveis”, afirma Ana Filipa Sobral. No caso das jamantas-chilenas, é uma ferramenta fidedigna, uma vez que o padrão ventral “funciona como uma impressão digital” – característica comprovada recentemente, quando um indivíduo voltou a ser identificado nove anos depois do primeiro aparecimento. “À partida, o padrão não sofre nenhuma alteração com o tempo.”

As três espécies de jamanta que ocorrem nos Açores DR

Clique aqui e leia o artigo completo no jornal Público
Foto Cabeçalho: Miguel Manso

Categoria: Turismo
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