Reset Password

Make a Reservation
Advanced Search
Your search results
28 de February, 2019

Vai ser criada nos Açores reserva marinha com uma vez e meia o tamanho de Portugal

Acordo assinado esta quinta-feira envolve o governo açoriano e as fundações Oceano Azul e Waitt. Zonas de protecção total terão uma área total de 150 mil quilómetros quadrados.

É o resultado de duas expedições científicas ao mar dos Açores. O programa Blue Azores, uma conjugação de esforços entre o governo regional açoriano, a Fundação Oceano Azul e a Fundação Waitt, vai acrescentar ao arquipélago 150 mil quilómetros quadrados de novas reservas marinhas com protecção total.

[bsa_pro_ad_space id=3]

Feitas as contas, são cerca de 15% da área total da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores, que ronda um milhão de quilómetros quadrados, que foram transformados em Área Marinha Protegida (AMP). Uma área equivalente a uma vez e meia o território continental do país.

Neste momento, o arquipélago conta com pouco mais de 5% de território marítimo protegido (50 mil quilómetros quadrados), embora muitas das AMP existentes não tenham ainda regulamentação tanto para a pesca, como para outras actividades com impacto no ecossistema. O Blue Azores propõe disciplinar essas áreas, produzindo e aplicando planos de gestão para as reservas já existentes, ao mesmo tempo que quer triplicar a zona protegida.

Num memorando de entendimento – assinado esta quinta-feira no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, ilha do Faial, entre o Governo Regional dos Açores, a Fundação Oceano Azul e a Fundação e Instituto Waitt –, há o compromisso de concluir a primeira fase do programa em três anos. E, nos três anos seguintes, as duas fundações vão acompanhar a aplicação do programa pelo governo regional do Açores.

“A economia e o ambiente têm de deixar de ser vistos como antagonistas, porque sem ambiente não há economia. É também isto que estamos aqui a celebrar”, disse o biólogo marinho Emanuel Gonçalves, administrador da Fundação Oceano Azul, na apresentação do programa.

Em causa, acrescentou depois José Soares dos Santos, presidente da fundação, está uma mudança de perspectiva, passando a olhar a natureza também com um capital. “Para a economia [dos Açores], um tubarão vivo vale mais do que um tubarão morto que dê um lucro efémero”, exemplificou.

O Blue Azores assenta em pareceres da comunidade científica e compromissos internacionais subscritos por Portugal, que estabelecem metas de criação de áreas marinhas protegidas que variam entre os 10% em 2020 e os 30% em 2030. Actualmente, menos de 5% de todo o oceano está sinalizado para protecção, mas com muitas AMP por concretizar ou com falta de gestão efectiva. Na prática, a área global efectivamente protegida em reservas marinhas eficazes não ultrapassa os 2%.

 A realidade portuguesa não é muito diferente. O país foi um dos signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, comprometendo-se até 2020 com a criação de novas AMP em zonas prioritárias, contribuindo para a meta dos 10%.

[bsa_pro_ad_space id=3]

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, subiu esta quinta-feira ao palco no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos para lembrar que, embora a Comissão Europeia tenha definido como meta os 10%, o país estabeleceu os 14%. “Existe toda a possibilidade de chegarmos mesmo aos 30%”, frisou, depois de elogiar a “coragem” do governo açoriano e de deixar um alerta. “Nós até podemos ser uma geração perdida, mas a próxima não pode ser”, defendeu, colocando a tónica na educação ambiental.

Neste momento, nas contas da Fundação Oceano Azul, apenas cerca de 4% das águas portuguesas até ao limite da ZEE são protegidas, muito à boleia do que tem sido feito nos Açores e na Madeira. “Menos de 1% das águas territoriais do Continente são áreas marinhas com protecção total (sem pesca)”, indica a fundação criada há dois anos pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos, o principal accionista do grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce.

Texto: Márcio Berenguer / Leia todo o artigo em Público

Category: Turismo
Share

Leave a Reply